Tomo café no quarto e saio renovado da pensão. Sigo em direção à catedral, conforme menciona o guia, para então seguir os sinais de bronze cravados na calçada. Chego à praça da catedral, vejo duas peregrinas alemãs e as sigo. De repente elas param. Observam o piso. Eu as alcanço e pergunto se estão à procura dos sinais. Elas confirmam. O piso da calçada não tem sinais.
Pergunto a um espanhol qual é a saída. Ele diz que estamos indo para Santander e não Santiago. Recomenda voltarmos à praça e perguntar. De volta à praça um jovem nos indica a direção. Seguimos em frente e encontramos outro peregrino alemão que nos pede para segui-lo. Logo encontramos os primeiros sinais. As peregrinas ficam no primeiro bar para tomar café. Sigo o peregrino alemão até o Santuário da Virgen del Camino onde ele entra.
Ao cruzar por um trevo, abaixo da N120, passa-se por um túnel só para pedestres. Um casal em bicicleta passa por mim. Desejam "Buen camino" e saem à esquerda do túnel. Quando chego à saída o sinal indica para a direita. Fico na dúvida, mas sigo o sinal.
O tempo está nublado, quente e com chuviscos intermitentes.
Paro em um bar de San Miguel del Camino para tomar café. Encontro com a Isabella, a dinamarquesa.
Faço mais uma parada em um albergue de San Martin del Camino para café e banheiro. O albergue é novo e os hospitaleiros muito amáveis. Duas coreanas estão no albergue, cumprimento-as, tomo café acompanhado de duas Madeleines e sigo.
Próximo à cidade começo a ouvir música para esquecer a dor. Deu para distrair, até que começou a garoar mais forte.
Coloco a capa, mas logo depois parou. Problemas de um peregrino urbano que não consegue "ler a natureza"
Hospital de Orbigo está decorado com muitas bandeiras em função das " Justas Medievales" ocorrida no final de semana. Cruzo a ponte e encontro, primeiramente um peregrino italiano que me dá um abraço afetuoso e as boas vindas, depois um grupo de turistas alemães de terceira idade. Uma delas bate palmas para mim quando passo por ela. Agradeço e sigo.
Chego ao albergue e sou recebido por Maria Tereza, irmã do Pedro, que se encontra com Acácio em León, ajudando-o na montagem da exposição da Cristina Oiticica, esposa do Paulo Coelho. Eles retornarão à noite, pois o trabalho deve continuar.
Albergue muito bem montado, aconchegante como o de Ventosa. Os peregrinos têm à sua disposição materiais para pintura e desenho (cavalete, telas, papéis, pincéis, tintas, lápis de cor, crayon). As paredes estão repletas de quadros nas paredes. Pedro elege os melhores a cada ano e os transforma em cartões postais. Conheço Bárbara, polonesa radicada em São Paulo.
Peço gelo à Maria Tereza que, de pronto me atende. Faço o meu tratamento e saio para assistir ao jogo Espanha e Rússia. Primeiro tempo 2 x 0 para a Espanha. Vou à farmácia e o diagnóstico: Tendinites. Acácio me telefona e combinamos tomar café da manhã juntos no albergue.
Retorno para o segundo tempo e o bar está lotado. Peço licença para sentar junto a mesa de um espanhol, pois queria sentir o clima da torcida local. Ele estranha, mas cede. Logo depois vem o dono do bar e diz que há mais lugares fora e com TV, só que com tela menor. Senti que tinha dado uma mancada, mas como não sou do local, permaneci. No meio do segundo tempo, peço licença, agradecendo por ter deixado compartilhar a mesa e vou para fora jantar. Sento à mesa com um italiano, que sempre encontro no caminho. Pergunto pelo seu nome ele responde: Maurício. Esse ficou fácil de guardar, pois é o nome do meu filho mais novo.
Jantamos o menu peregrino e o jogo termina 4 x 1 e a Espanha tem uma ótima estréia.
Retornando ao albergue presencio uma cena que demonstra que nem tudo é um mar de rosas no Caminho. Um peregrino italiano, completamente embriagado chega, tenta subir as escadas para o quarto e desiste. Senta-se no banco da entrada do albergue. Maria Tereza põe um colchão no salão térreo e diz a ele para dormir alí e manda tomar um café na cozinha.
sábado, 13 de setembro de 2008
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