A perna dói. Parece que o Lobo não acertou dessa vez, ou foi falha minha não me concentrar de forma positiva no que ele estava fazendo.
Felizmente o trecho é curto, 17 quilômetros.
Diminuo a velocidade por necessidade.
O trecho é bom. Plano sem escaladas de montanhas.
Ao chegar a Puente Castro, na entrada de León, começo a me incomodar com a necessidade de caminhar próximo à rodovia e cruzá-la por duas vezes. Prefiro estrada rural com chuvas a caminhar à beira de rodovias com os ruídos de veículos.
Os sinais indicam que devo atravessar a pista e seguir pelo acostamento. Chego a uma rotatória e não vejo nenhum sinal. Olho no mapa e vejo que o Caminho cruza a rotatória e sigo. De repente ouço alguns gritos. Era peregrinos me indicando o Caminho. Estavam circundando a rotatória. Eles me apontam uma placa do Caminho de Santiago. Fiquei olhando o chão e perdi o sinal que estava em uma placa.
O problema agora é atravessar as duas pistas de
acesso da N120 com a N621 e depois as duas pistas da N621, super movimentada. Parece que os leonenses não gostam dos peregrinos.
Na cidade a impressão muda. A sinalização é muito boa.
Chego a León e procuro pela pensão Sandoval, indicada pela Laura. Os leonenses são muito gentis. Se vêem peregrino com cara de perdido ou tentando se localizar no mapa eles perguntam se precisam de ajuda. Uma senhora me indica o prédio. O único indício da existência da pensão é uma placa azul e letra P branca.
Aperto a campainha e me abrem a porta. Subo ao 2o andar. Manolo me recebe e mostra o quarto. Pergunto-lhe pelo preço. São 18 euros. Pago adiantado, pois pretendo sair cedo no dia seguinte. Pergunta se quero toalha limpa. Aceito na hora.
A pensão é de uma família: Manolo, Tereza (esposa),Pilar (sogra) e Angel (sogro).
Tomo banho e saio pela cidade. Na primeira esquina cruzo com o Nich. Um ar de cansado e com uma mochila desproporcional à sua estatura nas suas costas. Diz que acaba de chegar. Não pretende ficar no albergue, administrado por freiras. Prefere um hotel próximo à catedral.
Acompanho-o até a praça da catedral e sentamo-nos em um bar para tomar uma cerveja. São 13h30m, hora da siesta. Ele diz que aguardará pela abertura do escritório de turismo para perguntar sobre hotéis. Estimo que teremos que tomar muitas cervejas até a abertura do escritório, pois a siesta vai até as 16h, normalmente. Ao abrir o mapa, que recebera de Laura com a indicação da rua da minha pensão, observo que o ele contém a localização de hotéis. Nich tem um guia da confraria britânica do caminho com sugestões de hotéis, mas sem o mapa. Ofereço-lhe o meu e digo que ele precisa se alojar, tomar banho e relaxar. Ele reluta em me deixar sem o meu guia. Digo-lhe que só preciso saber o meu caminho de volta à pensão. Leio o mapa e memorizo. Digo que às 17h volto para visitar a catedral, então ele poderá devolver-me.
Seguimos cada um para o seu canto. Passo em frente ao escritório de turismo que está com as portas fechadas. De repente uma pessoa abre a porta e entra. O escritório está aberto. Não fecha para a siesta. Peço um mapa e saio. Retorno à pensão e no caminho compro meu almoço (empanada e vinho).
Após a siesta. Pergunto ao senhor Angel se há alguma frutaria próxima à pensão. Ele começa a dar as indicações quando a Pilar, sua esposa, o interrompe e começa a dar outra sugestão que seria o El Corte Inglez. Ele dá uma sonora bronca e continua. Agradeço e saio meio sem jeito. Compro umas frutas e sigo para a catedral onde visito o museu e pego um carimbo para registrar a minha etapa de Leon. À saída do museu encontro com o suíço Heinz e uma francesa que diz ter encontrado o Nich na catedral. Diz ter cruzado com quatro brasileiros em Bercianos. Que boa notícia. Devem ser Marcos, Vânia, Paulo e Deisi.
Catedral de Pamplona
Cruzo com o Nich e saímos para jantar pizza. Aproveito e peço gelo para o garçom,que gentilmente atendeu ao meu pedido.
Ao sair do restaurante convido Nich a irmos a Finisterre, caso as datas de chegada coincidam.

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