O Acácio se encontra com o Paulo Coelho nas celebrações do 20o. aniversário do lançamento do livro O Alquimista. Para poder sincronizar o seu retorno com a minha passagem por Viloria de Rioja, resolvo atrasar em um dia o meu programa.
As meninas também interessam por passar no albergue apadrinhado pelo Paulo Coelho. A Jieun é fã dele. Desse modo incluimos Azofra em nossas escalas;
Saímos de Ventosa com a recomendação do Enrique de seguir pela rodovia. Ji Young lamenta da dor no joelho e da necessidade de levar o cajado que planejara deixar no albergue. Despeço-me de Jutta, deixando um abraço para o Enrique.
Começamos lentamente e pela estrada que, apesar de poucos carros, é estressante.
Em Nájera resolvemos comprar os ingredientes para a janta. Cebola, abobrinha, mexilhão fresco, farinha, etc. Ji Young quer peixe seco como o que se usa na Coréia e Japão.
Não encontramos. Procura também por temperos. Como ajustar os sabores sem conhecer o idioma ou os temperos do país? O fato é que ela comprou os ingredientes e fala que vai preparar um prato coreano.
Voltamos ao caminho. Seguimos as setas, quando uma senhora nos indica o sentido oposto. Decido aceitar sua indicação, pois diz ser mais curto. Ji Young também, pois está com o joelho dolorido. Jieun quer seguir as setas e não atalhos. Respeitamos a sua opção e a deixamos no seu Caminho.
Alguns metros adiante um senhor nos pergunta para onde vamos. - Azofra, respondemos. Ele diz que estamos no caminho certo. Ao ver um pin com bandeira espanhola e brasileira, pergunto-lhe se é do Brasil. Ele olha espantado e diz que a mãe dele nascera no Brasil. Digo-lhe que sou brasileiro e ele se emociona. Faz questão de nos conduzir até a saída da cidade. Pergunto pelo seu nome e ele diz: Jesus. Pede para tirar uma foto e que lhe envie. Em agradecimento me enviará uma credencial de peregrino da época medieval. Ele é membro da associação dos amigos do caminho de Nájera. Esse Caminho está começando a ficar interessante. Coincidências? Toma-se uma decisão em função de fatos. Cada um para o seu lado e encontramos o Jesus Untoria?
Sentamos em um banco após o mosteiro a espera da Jieun que chega em poucos minutos e seguimos em para Azofra. Passamos por um vinhedo onde uma família trabalha e crianças brincam na estrada de terra. Curiosos se aproximam e dizem que são portugueses. Conversamos em uma mescla de português, espanhol, inglês e coreano. A menina mais velha fala aos adultos que sou brasileiro.
Aceno para eles e logo após o dono do vinhedo se aproxima. Pergunto-lhe que tipo de serviço estão fazendo. Responde-me que estão selecionando os cachos para melhorar a qualidade do produto final. Pergunto lhe se o tempo não tem sido bom e ele confirma que nesta semana é a primeira vez que não chove e eles estão podendo trabalhar.
Em Azofra uma surpresa: albergue com quartos com duas camas cada. Comparto com um holandês. O hospitaleiro Félix, muito receptivo. Sem filas mas com chuveiro em que se aperta o botão e a água sai por 15 segundos.
Rotina do dia almoçar (As meninas compraram croissant. Só croissant!). Eu tinha comprado mexilhões a escabeche. Ofereço e aceitam.
Se fosse baguette com atum ia ser o almoço dos deuses. Comemos e seguimos a rotina, lavar roupa. Cada um lava a sua e compartilhamos a secadora. A três euros. Peço a Felix para ativar a máquina e ele nos diz. "Está muito molhado. Tem que centrifugar. Deixem aqui." As meninas não entendem. Digo a elas para não se preocuparem. Duas horas depois tudo seco e pronto para o dia seguinte. Felix foi o nosso anjo.
As meninas começam a preparar o jantar às 17h e não me deixam ficar com elas. Resolvo por em dia o diário e tomar um vinho. O jantar que elas servem está excelente. Comida coreana em pleno Caminho de Santiago: Ji ji mi + Buchimgae. Uma sopa acompanhada por legumes e mexilhões empanados. O único problema é que demoraram 1,5h no preparo. Eu só ouvia o pessoal comentando das garotas coreanas fazendo comida. O que ocorreu é que elas provocaram uma fila para cozinhar. Jantamos, mas não dá para demonstrar para os demais que a comida está excelente. Acho que ficou a impressão de que não gostei. Fazem questão de lavar os pratos.
Fico com o Troy e Justin, falando sobre a vida familiar. Troy me pergunta sobre a família, meu trabalho. Faço o mesmo com relação à sua. Tem duas filhas de oito e seis. Justin já tinha mostrado vídeo com filho de uns três anos. Rimos com as piadas. Proponho a eles racharem um vinho, mas Justin compra um e me oferece um copo cheio.
Lendo um pouco sobre a história local descubro que Azofra tem origem árabe e siginifica: " "obligacion de los vasallos de trabajar las tierras del amo por una corta cantidad de capital".
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
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