O ritmo das duas está bem abaixo do meu. Quando a subida começa a ficar íngreme, digo-lhes que as esperarei em Foncebadon. À entrada dessa vila cruzo com cães enormes, deitados à sombra e imagino dos cães (ou demônios ) citados por Paulo Coelho. Peço café no albergue local e espero pelas duas.
Passados alguns minutos, chega a Bárbara. Conversamos rapidamente e lhe digo que seguirei, nos despedimos e deixo um abraço para a Irene.
A caminho da Cruz de Ferro pego uma pedra, pois quero deixar registrado o nome da Yo (minha esposa) e o meu, além de deixar a que trago do Brasil.
Esse é um dos locais mais mítico e emblemático do Caminho. Crê-se que a cruz primitiva foi levantada sobre um altar romano dedicado ao deus Mercúrio, deus dos caminhos, pelo ermitão Gaucelmo, que dedicou sua vida a dar proteção e amparo aos peregrinos nessa região inóspita.
Cruz de ferro
Em Manjarín encontro com um dos mitos do caminho o Tomáz de Manjarin, que se autodenomina "O Último dos Templários". Digo que sou do Brasil e que trago abraços dos muitos amigos que ele tem por aqui. É um local com infra-estrutura precária. Deixo Manjarin com dúvidas se isso é um mito ou folclore.
O caminho que segue em ascendente ate 1540 m, depois começa descer. Beira uma ribanceira que acompanha uma estrada sinuosa.
Passo por El Acebo, onde as duas devem ficar e chego Riego de Ambrós, já meio cambaleante. Os meus dedos começam a reclamar. Os cadarços estavam soltos por causa da tendinite e, durante a descida, os dedos socavam a biqueira por dentro. A descida piora muita pedra e muito íngreme. Parece não ter fim. Após 1h30m chego a Molinaseca.
Deu uma vontade muito grande de ficar ao ver um restaurante à beira do rio e vários peregrinos lá descansando. Sigo pela rua principal e, a uma quadra do fim da cidade, paro em um hotel peço café com leite e "aseo". A mulher que indica os "servicios". Pego o café e vou para as mesas externas. Procuro relaxar e apreciar o café quando surge o Luque. Ele me cumprimente e entra no bar do hotel onde conversa com a mulher e pede alguma coisa. Acabo com o café rapidamente e caio fora antes que ele saia. ´"Pé na estrada".
O caminho após Molinaseca não apresenta muitas dificuldades mas a queda de ritmo, decorrente da dor, provoca um stress. A cidade surge no horizonte, mas o caminho parece dar voltas.
Chego no albergue às 14h30m já no meu limite físico e mental.
Sou recebido por uma hospitaleira que gentilmente oferece aos peregrinos uma limonada refrescante.
O registro é feito por um hospitaleiro que me informa que não cobram diária e me indica um cofre para doações. Digo que estou sem trocado e ele me olha desconfiado.
Outro hospitaleiro me conduz ao quarto e indica onde devo me acomodar. Vejo e Jina que também acabara de chegar.
Saio do albergue em busca de supermercado e conhecer um pouco da cidade. Visito fortaleza dos templários e depois compro a minha janta, café da manhã e lanche da caminhada.
Durante o jantar observo um peregrino que começa a procurar pelo responsável por uma panela que estava ficando sem água. Ele pergunta em inglês e de repente fala em português. É o Malagueña de Jundiaí. Ele apresenta a Antoniela, santista que vive na Suíça, um rapaz espanhol e um francês.
Após o jantar resolvo dar uma olhada nos meus dedos dos pés e descubro bolhas enormes embaixo da unha. Fui um burro! Devia ter parado na descida e ajustado as botas.
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