quinta-feira, 11 de setembro de 2008

1o. de junho Agés Um dia inesquecível !

Chuva intermitente desde a saída. Decidimos seguir até Agés e não ir a San Juan de Ortega pois tínhamos a informação de que o albergue de lá estava fechado, após a morte do padre Jose Maria.

Em Tosantos há uma capela incrustada nas pedras de um morro. Todos passam direto, à excessão de Paulo que chama à nossa atenção.

Capela de Nuestra Señora de la Peña em Tosantos


Marcos, Vânia, Paulo e eu paramos em um bar em Espinosa del Camino para tomar café e nos aquecermos. As meninas ficam para trás, conversando.


Ji Young e Jieun chegam e perguntam pela Jeong. As duas tinham parado em Villambistia, um pueblo anterior, para tomar café e Jeong seguira para nos alcançar.

Jeong passara direto por nós.

Ji Young e Jieoun saem correndo para procurá-la . Sinto a preocupação ao vê-las gritando o nome de Jeong. Resolvo tentar segui-las.

Sei que de nada adiantava bancar herói e ficar com alguma lesão. Correr carregando peso é uma coisa, sob chuva em terreno acidentado é outra. Segui as duas a certa distância enquanto tentavam localizar a amiga. Paulo passa por mim e as alcança. A chuva dificulta a minha visão.

Ao chegar à entrada de Villafranca de Montes de Oca. Vejo que as encontraram. Jeong diz que acelerara o passo para nos encontrar e ficou desesperada por não nos alcançar. Sentia-se perdida. Chorou no reencontro. Ao tocar em suas mãos geladas dou conta do frio que estava. Paulo deixa a mochila e corre ao encontro de Marcos e Vânia. Logo depois retorna com ambos.

Entramos em um bar para tomar vinho e comer bocadillos. Ao sair pergunto a um motociclista que diz ter passado pelo caminho de terra e que estava ok. O dono do bar, entretanto diz que no trecho final o rio inundara o caminho. Resolvemos ir pela estrada. 12 km pelo acostamento. Marcos vai à frente sinalizando, principalmente aos caminhões para se afastarem. Isso reduzia o impacto das cortinas de água que eles produziam. Cruzamos com dois cervos mortos no acostamento. Muito stress pela chuva e o frio.

Que dia !

Chegamos a Agés às 16h.

Marcos com a mochila, saco de dormir, travesseiros e roupas molhadas.

Secando as mochilas, saco de dormir, etc.

O dormitório é municipal. O bar/restaurante e "refeitório" privados. Ou seja, não tem jeito: É comer o prato peregrino ou comer o prato peregrino.

Ji Young reclama da secadora que não secou a roupa. A hospitaleira disse que não vai cobrar.

O local é limpo, mas o clima é mercantilista.

No jantar pedimos azeite e a atendente fala que custa um Euro. Recusamos. A Ji Young tira um vidrinho e nos oferece. Pedimos então mais pão que ao final tentam nos cobrar. Recusamos a pagar, pois nos haviam servido pães de forma coletiva em três cestas e não de forma individualizada.

Paulo e Jeong

Ji Youn e Deisi
Marcos e Vânia

Outro hospitaleiro me disse que há bares que reduziram os tradicionais bocadillos à metade de seus tamanhos originais e mantiveram os preços, já caros (da ordem de cinco Euros).

Tudo isso me faz lembrar de uma expressão que aprendi de uma hospitaleira: "prostituição jacobea". Ela se referia ao comportamento de pessoas ligadas ao Caminho que lá estavam para ganhar dinheiro apenas e não para servir ao Caminho.

O pessoal só pensa em descansar, após o dia árduo que tivemos na estrada.

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