Acordamos às 5h e podemos observar que uma neblina ainda cobre a cidade. Saímos às 6h na escuridão.
Subimos pela rodovia até entrarmos à direita seguindo as setas amarelas pelo último dia.
Chegamos à entrada de um bosque onde uma bifurcação fez com que um casal de jovens ficassem parados, pois a neblina e a escuridão não permitem visualizar nenhum indicador do Caminho.
Luiz Antonio observa e nos indica o caminho, seguimos todos em frente e o casal atrás de nós.
Procuro por sinais por cerca de 10 minutos, quando surge o primeiro. Que alívio!
Começa a clarear e logo o sol começa a surgir dissipando lentamente a neblina e trazendo o prenúncio de um bom dia. O dia de nossa chegada a Santiago de Compostela.
Surgem o sol e as nossas sombras, sempre à nossa frente.
Às 10h chegamos ao Monte de Gozo.
Uma pausa para café, fotos e preparar o espírito para entrar em Santiago de Compostela. Divido em quatro a minha última barra de cereais que trouxe do Brasil.
Luiz Antonio diz que devemos entrar cantando na cidade. Não surge nenhuma idéia. Ele começa a recitar versos de Bochincho de Noel Guarany e depois ouvimos música de seu iPhone. É um peregrino hospitaleiro "high tech".
Entramos na Praça do Obradoiro, Luiz Antonio pede para que Luiz Alberto e eu sigamos à frente, pois ele e Carlos já tinham tido essa privilégio. A emoção é grande, o momento é único, a grandiosidade da catedral, peregrinos chegando, os turistas.
Reencontro o René e nos abraçamos, logo depois encontro com o Wolfgang. Mais um abraço. Era como se reencontrássemos um grande amigo após muito tempo.
Seguimos para o Escritório do Peregrino para obter a Compostela e assistirmos a missa às 12h.
A catedral está lotada, a maioria composta de turistas. A missa emociona. O padre celebra a missa em homenagem a São Luiz Gonzaga. Fui batizado na igreja de São Luiz Gonzaga. Padres que concluíram o caminho naquele dia: um francês, um coreano e um alemão são convidados a auxiliarem. O que quebra o clima mágico é a palavra dada a um general reformado e o sermão nacionalista e conservador do padre.
Começam a preparar o botafumeiro. Flashes e agitação, mas é um alarme falso. Os peregrinos de hoje não estavam cheirando mal.
Na saída reencontramos Wolfgang que nos indica uma pensão (Hospedaje Fonseca) que cai como uma luva para as nossas necessidades. Quarto com quatro camas a uma quadra do Obradoiro. A cidade estava lotada !
Cama com colchão de mola, lençóis impecáveis e toalha! Escolho uma cama e saio para comprar sabonete e Comped para as bolhas. Retorno para um merecido banho.
Saímos em grupo para fazer uma cópia da Compostela e encontramos a Daniella, que está com dificuldades em encontrar acomodações. A nossa pensão está lotada e Carlos a conduz a uma outra próxima à entrada da cidade.
Às 16h30m vamos para a entrada da garagem do Hostal dos Reis Católicos. Um certo exagero, mas garantimos o nosso lugar na fila. Por volta das 18h chega um grupo de estudantes espanhóis e um casal de jovens americanos.
Às 19h o manobrista nos dá uma ficha autorizando a entrada.
Passamos pelas partes sociais internas do hotel até chegarmos à cozinha. Cada um pega uma bandeja e o cozinheiro nos serve um prato de sopa; outro com purê de batatas e filé mignon e a sobremesa. Vinho e água e pão ficam à disposição. Levo o vinho e Luís Alberto a água, depois trazem mais um vinho. Jantar cinco estrelas, delicioso e de graça. Ao término levamos as bandejas de volta e observo o cozinheiro preparando o mesmo prato para ser servido no restaurante. Mesma porção e composição.
Saímos para passear e paramos em um bar para assistirmos ao jogo da eurocopa Rússia X Holanda, tapas e vinhos.
Na manhã seguinte retornamos ao Hostal onde tomamos o café da manhã.
Às 12h saio da pensão e me dirijo ao hotel onde devo aguardar pela minha esposa.
A Yô chega ao hotel por volta das 14h, vamos à Catedral. Faço as vezes de guia. Visitamos a cripta onde se guardam os restos mortais do apóstolo Santiago, abraçamos a imagem do santo e, quando observávamos a sua nave central, encontramos com o autor das frases que foram as minhas companheiras desde o início do Caminho. Paulo Coelho em pessoa!
A última coincidência do Caminho.
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