Ainda está escuro e chove.
Levo meus apetrechos para o corredor, faço a mochila e vou ao refeitório tomar café.
A chuva continua.
Escuridão, chuva, vento e neblina e alguns peregrinos partindo.
Resolvo aguardar o dia clarear, pois tenho muitas dúvidas e insegurança. Penso no dia anterior. Se tivesse partido só, teria seguido pela terra e não asfalto.
As 6h30m começa a clarear, mas chove e a neblina continua.
Às 6h45m deixo o albergue. Lamento não poder apreciar a famosa paisagem da região, mas procuro imaginá-la sem a neblina.
Pela primeira vez sinto que a bota está se encharcando. O famoso impermeabilizante Gore Tex teria se rendido ao Caminho? Pensando bem até que ela segura bem a água, mas não dá para fazer milagres. Sinto os pés "nadando" dentro delas.
Após uma subida pesada até o Alto do Poio e, antes de entrar no bar, vejo que só a mochila está quase seca. A capa, molhada por dentro, a jaqueta, o agasalho "fleece" por fora e por dentro, por conta do suor, a camiseta e o underwear tudo molhado. Acho que só a cueca se salvou.
Decido que paro em Triacastela. Que plano, que nada! Chego no dia 21 em Santiago, só não sei como. Mas chegarei inteiro e vivo.
Entro no bar e vejo um grupo secando as botas na lareira. Tomo Cola Cao (o equivalente ao nosso Nescau ou Toddy) e café. A Jina Lee chega logo depois. Digo que fico na próxima cidade e ela diz que fará o mesmo.
Despeço-me e saio. O tempo continua implacável.
Já próximo de Triacastela a chuva diminui e para.
Chego ao albergue Aitzenea, em Triacastela. Sou recebido pela Luzita. Até o momento só há duas hóspedes. Luzita me mostra um quarto vazio, onde posso escolher uma boa cama.
Tomo um banho quente muito relaxante. Deixo todas as roupas com Luzita para serem lavadas e secas na máquina.
Desço e ouço música galhega, muito parecida com música portuguesa. Menciono essa "descoberta" à Luzita e ela diz que a Galícia pertencera a Portugal. Concluo, mais uma vez, que preciso conhecer mais a história da região.
Saio para comprar o meu almoço e volto para o albergue. Abro o vinho, monto meu sanduíche e está pronto para ser degustado.
Jina Lee chega e logo depois outros peregrinos. A música clássica envolve o ambiente. Depois chegam finlandeses, dinamarqueses, alemães, mais tarde franceses, etc.. Às 16h albergue está com cerca de 90% de sua capacidade. Todos comentam da chuva.
Deixo o albergue e passeio pela cidade. Chego a uma bifurcação que leva a Samos ou San Xil. O Naka me dera um roteiro para seguir para San Xil e a Mara por Samos. Quando perguntei ao Acacio, qual seria a melhor opção e ele recomendou para ouvir o meu coração e decidir. O meu coração diz para ir pelo mais curto, ou melhor, mais rápido. A dica da Tilara em seu blog me convence ir por San Xil.
Observo os turistas e penso: "Peregrino de verdade anda mancando, mesmo aqueles que começaram há poucos dias. Calçam papetes ou chinelo de dedo com meias. Os outros sempre andam com roupas esportivas e tênis impecáveis."
Janto no restaurante Xacobeo: soupe du pays(sopa de batata com repolho) e boeuf grille au feu de bois (parrilla).
Antes de dormir deixo o café da manhã em um saco, na mesa do refeitório.
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