sábado, 13 de setembro de 2008

7 de junho Bercianos - Um albergue emblemático

Dormi muito bem. Fomos quatro pessoas honradas com o quarto superior e três banheiros.

Ouço conversas altas e alguns risos no andar de baixo. Neném diz que estão discutindo por causa da luz que acenderam. Ele crítica os peregrinos que não respeitam os outros, diz que há algum tempo atrás chegou a desligar a chave geral para acabar com a discussão.

Faço a mochila e saio pata tomar café. Nich se junta a mim e diz que deve caminhar 20 km, seus pés não estão bem. Converso com Neném. Diz ser formado em fisioterapia com pós graduação na Universidade de Salamanca. Ele recomenda tomar muito cuidado em albergues públicos de grandes cidades, pois é comum o furto de pertences. Pergunto a ele se necessita algo do Brasil, pois a Yo pode trazer e posso então despachar pelo correio. Ele pede o DVD da Ivete Sangalo. Termino o café, me despeço e parto.

Está frio, por volta de 13 graus, mas com sol. Caminho com a sensação de ter esquecido algo. À saída da cidade me lembro que não paguei pelo café. Retorno ao bar para liquidar a pendência.

"Auto-retrato" deste peregrino

Faço uma breve parada para um café com leite em San Nicolas Del Real Camino e "pé na tábua".

Chego a Sahagun, onde observo diversos peregrinos aguardando pela abertura do albergue. Sigo em frente e quase à saída da cidade, paro em um café e peço um "bocadillo de jamon" e suco de laranja. Sahagún é grande, com discotecas. A saída é meio complicada por falta de sinais.

Chego a Bercianos Del Camino após longos e agradáveis trechos retos. Reencontro a Isabella (dinamarquesa), as duas austríacas que estavam na pensão que fiquei em Saint Jean e a Maria (portuguesa que vive na Suíça) que encontrara em Estella.

O albergue é emblemático. Possui amplos dormitórios, camas com edredon e travesseiro. Oferece jantar coletivo, cujo cardápio é elaborado com as doações do dia anterior. Após o jantar é celebrada uma cerimônia na capela e, se o tempo colaborar, uma cerimônia para apreciar o por do sol.
Albergue por fora e por dentro

Após a rotina do banho e lavagem das roupas, saio para comprar água e frutas. "Tienda cerrada" e são 4h! Paro em um bar lotado com o pessoal da vila jogando dominó. Encontro com Kasimir, polonês que vive na Alemanha há mais de vinte anos, aposentado pela BMW. Tomamos cerveja, pagamos uma rodada para cada um e voltamos ao albergue. Disse que leu quatro livros do Paulo Coelho. "Será que alguém da Academia Brasileira de Letras já leu?", penso comigo.

De volta ao albergue sou convidado para ajudar no preparo da salada. Falo em espanhol, uma italiana me responde em italiano e os demais em espanhol: Uma pequena salada de idiomas.

Antes do início, todos se apresentam: nome e país. A entrada é servida: vinho, pão e salada. O segundo prato é macarrão, preparado pelo hospitaleiro. Cada um passa seu prato até a ponta da mesa onde os hospitaleiros servem diretamente da panela. É um passa passa de pratos. Depois circula uma forma de bolo com queijo ralado. Por fim a sobremesa: banana, café e chá.
O jantar comunitário

Pôr do sol em Bercianos

Nenhum comentário: